Os diferentes objetivos de equipes esportivas

Em uma competição esportiva, os participantes podem ter distintos objetivos. No Campeonato Brasileiro de Futebol, por exemplo, é nítido notar no início do campeonato que 3 ou 4 times possuem reais chances de título. Alguns miram a Libertadores, outros a parte intermediária da tabela e temos um grupo que lutará para não cair. Todos querem ganhar o campeonato, mas a realidade é bem diferente e cada clube sabe o que pode buscar.

Os economistas utilizam modelos teóricos (e bastante matemáticos) para tentar explicar o mundo. Em Microeconomia, uma das áreas de Economia, estuda-se como agentes econômicos procuram atingir seus objetivos, assumindo-os como racionais, ou seja, que buscarão a melhor forma de obtê-los que tenha as menores perdas.

Um dos problemas mais famosos de Microeconomia é o da firma. Nele, uma firma conhece todos os seus fatores de produção (máquinas, trabalhadores, etc), custos envolvidos e quanto de receita ela pode gerar, dependendo da quantidade de produto que ofertar. Assim, um empresário sempre buscaria maximizar os lucros de sua empresa, restrito aos seus fatores de produção disponíveis.

Trazendo para o esporte, Dobson e Goddard, no livro “The Economics of Football” discutem os diferentes objetivos que uma equipe esportiva pode ter. Dois deles são: equipe maximizadora de lucros (mais próxima das franquias norte-americanas) e equipe maximizadora de vitórias, sujeita a uma restrição de lucro zero (assume-se que a equipe gasta todo o seu excedente para possuir o melhor time possível, caso mais parecido com clubes europeus).

Por meio de equações matemáticas sofisticadas, os autores chegam a conclusões interessantes. Se o objetivo de um dono de uma equipe é maximizar vitórias (TT), a quantidade de talentos (t1) é maior do que uma equipe maximizadora de lucros (w) e naturalmente o custo por unidade de talento (c) também é maior. Assim, o equilíbrio competitivo de uma competição cai, como podemos ver na figura, sendo (w) e (TT) os expoentes para indicar equipes maximizadora de vitórias e de lucros, respectivamente:

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Profit-maximisation and win-percent-maximisation equilibria: two-team closed

 

Na literatura, arranjos institucionais são sempre propostos para tentar aumentar o equilíbrio de uma competição, principalmente nos Estados Unidos.

A distribuição de receitas (revenue sharing) é a redistribuição de parte da receita de clubes mais rentáveis para outros menos rentáveis. As conclusões dos estudiosos são ambíguas: alguns falam que a medida aumenta o equilíbrio, outros falam que não. Os autores no livro, no entanto, concluem que a distribuição de receitas não afetam nem a alocação dos talentos esportivos, nem o equilíbrio de uma competição. Um exemplo de competição que usa a revenue sharing é a National Basketball Association (NBA).

Um segundo arranjo institucional é a luxury tax. Primeiro fixa-se um teto máximo para gasto em salários igual para todos os times. Se um time ultrapassa este teto, cobra-se um imposto, que é uma porcentagem da quantia a mais gasta. A Liga decide o que faz com o excedente arrecado, desde redistribuir a times piores colocados na temporada passada a outros propósitos. Os cálculos indicaram que se alguns times pagam e outros não, o equilíbrio aumenta e o salário médio dos jogadores diminui. Se todos os times pagam, não existe diferença alguma. Um exemplo de competição que a utiliza é a Major League Baseball (MLB).

Um terceiro arranjo institucional é o payroll cap. É um tipo de teto, em que o time só pode gastar uma porcentagem da receita média dos times da competição, sendo esta fixa, e que não pode ser ultrapassada. Se somente os maiores times sofrerem este arranjo, o equilíbrio aumenta e o salário médio dos jogadores diminui. Caso todos os times sofram, o desequilíbrio é eliminado e existe equilíbrio competitivo perfeito. Competições que a utiliza são a Nationall Football Association (NFL) e a National Rugby League na Austrália.

O último arranjo apresentado é o G14 payroll cap. É parecido com o payroll cap, com a diferença de que a porcentagem é relativa a sua própria receita, e não a do time médio. O nome G14 vem da união de 14 clubes de 7 países europeus para ter mais voz e força em conversas com órgãos internacionais de futebol. O grupo se encerrou em 2008. O resultado é que o desequilíbrio aumenta e o salário médio dos jogadores se reduz. Muitas vezes arranjos institucionais podem ter o efeito contrário ao planejado.

No próximo texto, falarei de um tema que sempre gera discussão entre apaixonados por esportes: formato de competições. Qual é o melhor entre liga ou mata-mata? Veremos que a resposta depende de quem organiza o campeonato.

Por Albert Liu

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“O ESPORTE CONSTRÓI MARCAS”

Confira na íntegra o artigo

Imagem Capa – Fonte: sicurezzaeditora.com.br / imagem adaptada
Imagem 2 – Fonte: Propriedade BPM Marketing Esportivo

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