Moneyball, um dos maiores fenômenos do esporte moderno

O livro Moneyball: The Art of Winning an Unfair Game, foi escrito por Michael Lewis e conta a história de como o gerente-geral (general manager) do Oakland’s Athletics, Billy Beane e seu scout Paul DePodesta transformaram o beisebol. Por meio de técnicas de estatística sofisticada, a dupla transformou a análise convencional de jogadores. Em vez de considerar medidas individuais e vistosas como home runs e batting average, eles utilizam métricas como o número de vezes que jogadores chegavam as bases.

Para quem não conhece beisebol, aí vai uma rápida explicação. Um jogo de beisebol é composto por 9 innings (entradas). Cada inning é composto por dois turnos: um de ataque e um de defesa. O time que ataca é aquele que tem o batedor. O time que defende possui 9 jogadores ao longo do campo para pegar a rebatida do batedor. A bola é lançada pelo pitcher, que tenta arremessar a bola para um recebedor, parado um pouco atrás do batedor. Em cada turno de ataque posso usar até três jogadores e quando estou na defesa, devo tentar eliminar o mais rápido possível o batedor, acertando 3 vezes a bola nas mãos do recebedor.

Para se pontuar no beisebol, após um batedor rebater uma bola para a frente, ele deve passar por quatro bases para somar um ponto. Caso os jogadores peguem a bola no caminho entre as bases, ele está eliminado. Numa entrevista de DePodesta (será detalhado em diante), ele afirma que medidas como batting average (porcentagem de rebatidas em relação a bolas lançadas) e home runs são importantes, mas apenas uma parte da análise. As bases conquistadas seriam uma medida bem mais fidedigna da produção de um batedor. O site (1) fornece as regras do beisebol de uma maneira extremamente didática.

No filme, não há Paul DePodesta e sim, Peter Brand, recém-formado da Universidade de Yale. O verdadeiro personagem da história* não concordou com a maneira que iria ser retratado. Afirmou que era bem mais combativo do que sua representação e teve alguns desentendimentos ao longo da história (2).

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A grande importância das ideias de DePodesta está na quebra de paradigmas na maneira de analisar o esporte. A análise de jogadores, normalmente, é baseada em estatísticas individuais. Logo, a partir delas, julgamos quem foi “decisivo” e muitas vezes, “quem foi o pior”. Um drible esteticamente bonito muitas vezes dá este título a um jogador. Já este analista faz diferente: a partir de várias estatísticas individuais, ele monta uma estatística agregada. A contribuição de um jogador não é analisada individualmente, mas sim, como ele ajudou seu grupo a conquistar o objetivo final: a vitória.

A análise moderna de jogo já não mede apenas gols, chutes, passes, cestas, bloqueios: ela mede a produção de vitórias. Este conceito está bem explicado no livro “The Wages of Wins: Taking Measure of the many Miths in Modern Sports (3). A ideia principal do livro é que a sabedoria convencional não analisa jogadores da melhor maneira. É a partir de várias medidas agregadas, tanto de ataque e defesa, que chegamos as vitórias produzidas.

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O capítulo sobre as competições da National Basketball Association (NBA) aponta que os prêmios de melhores jogadores do ano, por votação popular, são dados geralmente por jogadores que fazem muitos pontos. Mas outras estatísticas, como assistências, tocos e roubadas de bola deveriam ser consideradas. Assim, ele reavalia todos os jogadores, de todas as temporadas com dados necessários, até a publicação do livro. Os “prêmios de melhores jogadores”, na nova análise, vão muitas vezes para outros jogadores que não as superestrelas. O ponto convergente com a sabedoria convencional é Michael Jordan. Este jogador é realmente acima da média e com certeza considerado um dos melhores da história.

Que estas ideias sejam pensadas para outros esportes coletivos. Muito esforços já foram feitos para mimetizar um “Moneyball” para o futebol. O ex-CEO do São Paulo Futebol Clube, Alex Bourgeois, disse em reportagem para a Época (4) que havia encontrado uma maneira, sendo um dos especialistas de vanguarda no Brasil. Infelizmente, após cerca de três meses em que assumiu o cargo, foi demitido por “falta de resultados”. Levaremos um tempo para absorver estas ideias, mas sou otimista. Acredito que com a grande população que temos e as crescentes melhorias na gestão esportiva no país (estou aí, analisando todos os esportes e não só futebol), podemos um dia, realizar “Moneyball” nos esportes nacionais.

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“O ESPORTE CONSTRÓI MARCAS”

Por: Albert Liu
albertliu_1@hotmail.com

Nota do autor: *Paul DePodesta (5) é formado em Harvard, e diferente do explicitado no filme, não foi direto para o escritório principal do Oakland’s: começou como scout e depois subiu. Nesta interessante entrevista (6), ele comenta estágios em que trabalhou e livros que formaram seu pensamento. O princípio que guia seu trabalho é a incerteza. No ramo esportivo, este princípio pode ser estendido a todos os esportes: incerteza do time na próxima temporada, incerteza sobre como estarão seus adversários e por aí vai.

Confira na íntegra os artigos os quais inspiraram este post:
1- Blog do Beisebol
2- Nautil
3- Amazon
4- Época Negócios
5- Wikipedia
6- Washington Post

Imagens:
Imagem Capa: theplayoffs(Adaptada)
Imagem 2- Grandes ligas
Imagem 3- Marketo
Imagem 4-Washington Post
Imagem 5 – Propriedade BPM Marketing Esportivo

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